quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Quem engole a raiva acaba cagando sangue

Bom, eu tinha 14 anos e estudava em escola publica. Era baixo e magro, e a maioria dos outros caras da escola eram mais velhos e tinham o senso de sociedade de um gorila macho e boa parte era metido a bandidinho. Quatro deles eram os principais carrascos, e o “líder” desses quatro era o que sempre começava... Deus, como se essa idade já não fosse uma merda. Eu sempre com poucas palavras era o alvo, qualquer objeto que fosse atirado ia à minha direção, alem de qualquer outro tipo de agressão. Eu falava pouco e pensava muito... Tinha sangue de barata. Claro que sempre vinha vontade de reagir, mas eu pensava “cara, olha seu tamanho... você não dá conta, se controla”.
Eu com 17 bebia demais, beirava a loucura... me sentia reprimido, emasculado... Engolia a raiva... Cresci 10 cm em três anos, foram 10 cm de raiva. Eu tinha que acabar com isso, senão eu iria morrer... Estava beirando uma ulcera um câncer... Não sei cara, eu me sentia como se eu fosse Jesus e aqueles quatro fossem o próprio diabo encarnado. Eu queria pegar uma arma e fazer, eu tinha que fazer cara... eram eles ou eu. A raiva é um sentimento do caralho, ou você mata com ela ou ela te mata... É sem chance.
E no meio do ultimo ano de escola eu estourei. Estavam fazendo a mesma coisa de sempre, e aqueles três anos de merda estouraram de uma vez. Eu peguei uma cadeira e joguei na direção dos quatro, eles ficaram chocados e eu fui correndo na direção deles, eu sentia as veias do pescoço e quase explodindo e os dentes trincando... Estava quase em transe. Eu peguei o primeiro que apareceu e comecei a descer o braço na cara dele. Bati e continuei batendo e vendo o nariz, a boca e quase o rosto inteiro sangrando... Sentia os amigos dele me chutando e tentando me segurar, sentia a minha própria mão se rasgando... Mas eu não ia parar... Eu não conseguia. Ate que me seguraram, e eu vi aquela massa sangrenta imóvel no chão... Eu estava mais calmo, na verdade eu estava até orgulhoso.

A frase Laranja da quarta feira:
"Mais ou menos é medida de cu."
Junker

9 comentários:

  1. Eu to ligado que é uma das piores coisas que eu ja escrevi (isso pq eu ja fiz muita coisa que nao presta pra nada). Mas é mais real do que parece, claro que não é 100%. A linguagem da uma merda e soa meio perturbadora, mas esse assunto e essa historia realmente me deixa mais ou menos assim...
    Quinta feira o ber faz algo legal, tenho certeza.

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  2. eu estudei em colégio de freira...e muitas vezes tive vontade de fazer isso com algumas delas (as freiras) também...infelizmente,nunca fiz.

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  3. Gostei, me lembrou Rubem Fonseca, mas se bem que tudo me lembra Rubem Fonseca, então me resigno a dizer o óbvio; gostei.

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  4. aff ... ki meda do guri ... ahahahah

    ;-)

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  5. haha. conheço essa história bem de perto.

    "mais ou menos é medida de cu"
    mesmo.

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  6. Eita que eu me senti assim ontem mesmo. E hoje. E provavelmente amanhã. Orgulhosa não, com raiva.

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  7. AEEEE
    acho que isso acontece com a maioria dos nerds reprimidos. Me senti um pouco ele (você). A vida como ela é

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  8. Já fiz isso. Tava preso lá na Costa Rica.
    Levei uma no queixo, acordei 5 minutos depois...
    Fiquei meio preocupado com essa surtada.
    A coisa morreu ali, ainda bem.

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  9. Adoraria ter feito o mesmo, na verdade era bem tratada pelos acéfalos, mas minha raiva não era muito menor que a dele.

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