quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Novela II



Edivaldo Badinbed ganhou esse apelido quando uma ex espalhou o boato de que ele não era o garanhão que ele dizia ser. Inclusive ele diz coisas demais, é um falastrão de marca maior. A mãe dele era uma polonesa maluca e tinha estragado sua vida, seu pai era um rato de esgoto que sumiu antes dele nascer.

Fazia cinco meses que eu estava na grande São Paulo e um mês que eu estava dividindo apartamento com Badinbed. Tinha vendido meu carro então não passei fome em momento algum apesar de não ter arranjado emprego e como eu pagava menos no aluguel (já que ele tem um quarto enquanto eu durmo no sofá de dois lugares) ainda tinha algum dinheiro guardado. Bad saia com Margarida, ela com seios moles, olhos fundos, fio de cabelo braço de 10 centímetros aos 23 anos de idade... Mas o que me chamava a atenção eram aquelas mãos finas com dedos longos e magros, dava para ver o formato de cada ossinho. Alem disso eram extremamente brancas, parecia que ela as guardava em um pote de água sanitária e só as usava quando saia de casa.

Eu era sempre fui entediado, mas Badinbed sempre procurava um jeito novo de me entediar... Então inventou de dar uma festa para comemorar meu primeiro mês no apartamento. Na verdade ele só queria dar uma festa. Na verdade ele só estava inventando um motivo para eu comprar bebida. Eu era inconstante demais e só tinha aprendido a lidar com pessoas há uns dois anos atrás, por isso não tinha amigos. Edivaldo chamou umas oito pessoas, todos bêbados metidos à intelectuais e vice versa. Eu estava com um puta mau humor e só conhecia dois dos convidados.

Samuel era gago... Por isso era conhecido por Mumu e namorava Camila que não era ninguém. Ela dizia que o melhor sexo oral que ela já teve havia sido proporcionado por Mumu e ele atribuía isso ao fato dele ser gago, e isso era tudo que eu sabia dos dois, pois a única vez que eu tentei conversar com eles fiquei de saco cheio. Mumu demorava 45 minutos para terminar uma frase e Camila não tinha nada para dizer por que não era ninguém. Os outros convidados eram: Um cara careca, um cara de moicano e terno, um cara barbudo de sapato branco e chapéu panamá, um boliviano que fumava charuto, uma garota feia de cabelo roxo e piercing e outra garota bem gostosa que não me dirigiu nenhuma palavra ou olhar a noite toda.

A festa começou normal... Tocou B-52, Pearl Jam, Los Hermanos, Bezerra da Silva e sei lá mais o que... Tínhamos boa cerveja na geladeira e uma garrafa de vodca aberta em cima da pia. Antes do fim da primeira meia hora eu cansei de ficar deslocado dos assuntos chatos (cadeiras, Dostoievski, tipos de passarinhos, traumas sexuais, José Sarney, etc). Saí de lá e fiquei na frente da TV o resto da noite... Naquela hora estava passando “Nos Embalos de Sábado a Noite”. Umas três da madrugada Margarida (que eu chamava de Magrida e culpava um falso problema de dicção) brigou com a feiosa de cabelo roxo porque não gostava de Chico Buarque e foi para perto de onde eu estava. Ela com 1,68m, cabelo manchado e despenteado estava colocando aqueles dedos magrelos e albinos nos meus discos. Eu prontamente peguei um sapato e joguei com toda a força em seu pescoço. Ela saiu xingando e correndo com aquelas pernas ossudas. Lá pelas quatro e meia da manhã o povo intelectual/bêbado foi embora. Eu estava no meu sofá assistindo Friends. Bad estava dormindo no tapete do banheiro. Magrida o pegou e foi para o quarto.

Acordei umas onze e meia... Magrida tinha cagado dentro do sapato que eu havia jogado nela. O sapato era do Bad então o coloquei do lado da cama dele e não me importei com aquilo.

Badinbed acordou, pisou na merda, reclamou pra caralho e vomitou na cozinha... Não me importei. Saí de casa e vi Magrida tomando café numa lanchonete perto de onde moro. Ela pediu desculpa pelo sapato e disse que não ia mais sair com Edivaldo porque “ele não fazia seu tipo”.

Magrida é formada em biologia, ganha três mil e quinhentos por mês, mora sozinha e quer ser comida nove vezes por semana... Mesmo assim era burra o bastante para tentar ter uma relação com um cara chamado Badinbed.




Frase Laranja da Quarta Feira:
"Serei tão breve que na verdade já terminei"
Salvador Dali ao proferir um discurso em uma solenidade.

3 comentários:

  1. os textos daqui são os maiores que tenho coragem de ler...e sempre me surpreendem.
    vai ter história assim lá em casa...ohh!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. então Mariah... vai ter história assim né? rs ... mas tudo surpreendente mesmo e instigantes ...

    bjux

    ;-)

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