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domingo, 31 de janeiro de 2010

Sempre Como na Primeira Vez

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O sabor da manga estava podre e me fez vomitar. Mas que droga, parecia ser uma manga perfeita, olhando a parte de fora. Na verdade não estava podre, pude notar observando melhor. Só possuía um sabor ligeiramente diferente do convencional.

A noite agitada, o cheiro das pessoas, a música tocando, toda aquela conversa difícil de acompanhar, me vê um chopp, olha que gata, preciso comer algo, garçom?, cara, você tá bêbado, Alfredinho é um cara maneiro, me vê uma porção de batatas, vou te apresentar um amigo meu, prefiro aquele outro bar, nunca tinha te visto por aqui, mas que cantada horrível, mas você tá conversando comigo até agora, você beija bem, nos vemos outro dia, vê se me liga.

-Conheci essa garota, estamos saindo há umas duas semanas, as coisas estão indo muito bem. Acho que talvez role algo mais sério. Gosto do jeito dela, só é um pouco tímida demais, sabe, não pode isso, não pode aquilo, tira a mão daí, essas coisas. Mas aos poucos estamos ficando mais íntimos, imagino que ela em breve irá relaxar e as coisas vão fluir melhor...




(...)




...não sei o que está acontecendo, se estou fazendo algo de errado, mas ela parece não se acostumar comigo nunca, estamos sempre no mesmo ponto, sem avançar, pelo menos vetorialmente dela pra mim. Achei que já estávamos super íntimos mas ela continua impedindo meus avanços. Talvez seja a família, um tanto conservadora? Ou quem sabe ela tenha algum trauma de infância, ou algum tipo de problema pessoal que tenha vergonha de contar. De qualquer forma parece gostar bastante de mim. Desde que eu mantenha minhas mãos longe de suas partes íntimas.




(...)




-Você está irresistível hoje. Não sei se vou conseguir me controlar.
-Vamos para o quarto.

(...)

-Ai, desculpe, não sei vou conseguir fazer isso hoje, eu sei que nos conhecemos há um tempo razoável, mas é que demoro um pouco até pegar intimidade pra fazer essas coisas.
-Sei, compreendo. Olha... você não gostaria de conversar sobre isso? Por acaso tem algo que gostaria de contar, mas sente vergonha?
-Bom, pra falar a verdade tem sim... mas depois falamos disso, vem cá...

(...)

-Você trouxe camisinha?

Finalmente estava tendo a oportunidade de remover as calcinhas. Qual não foi sua surpresa ao se dar conta dos fatos por ela ocultados.

-O que é isso?
-Me desculpe, devia ter te falado.
-Não precisa se desculpar. Mas o que significa isso?
-Já nasci assim. Por favor não me olhe assim, tenho muita vergonha disso.
-Estou um pouco atordoado, apenas isso. Nunca havia visto nada parecido.
-É algo um pouco incomum, eu sei.
-Mas então você é virgem?
-Não, mas pra eu transar é um pouco mais complicado.
-Complicado? Aparentemente é impossível! Não tem nada aí. É liso.
-Eu possuo todos os órgãos do aparelho reprodutor feminino. Apenas minha vagina que é fechada.
-Entendi. Mas como fazemos?
-Precisamos de uma faca.

Ele vai até a cozinha e pega uma faca.

-Serve dessa?
-Não, tem que ser mais afiada. Pega uma daquelas suas de cortar carne.

Ele pega outra faca.

-E essa?
-Isso, essa deve servir. Faça assim...

Ela lhe explica como deve proceder. Ele pega a faca e começa a abrir um buraco no lugar onde, em uma mulher comum, haveria a vagina. Os sangue começa a jorrar e seus gritos são aterrorizantes.

-Está tudo bem?? Tem certeza de que quer fazer isso? Você está perdendo muito sangue. Vou chamar uma ambulância.
-Não, não precisa. Já fiz isso outras vezes. É normal que eu perca sangue assim. Pode continuar.

Terminando de abrir o buraco, ele põe a faca de lado e a penetra. Ao término da cópula, com a cama já completamente vermelha de sangue, eles adormecem.

Enquanto dormem, sua vagina começa a se recuperar.

Ao amanhecer, o buraco já está completamente fechado novamente.
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Almas obesas

"Qual é o peso do amor?"

Era o que o pôster do filme, emoldurado na parede, me perguntava. 21 Gramas. Nome engraçado. Acendi um cigarro e fiquei ao lado do filme, à espera dela. Era um filme com Sean Penn, não é. Se eu não me engano, era aquele filme que dizia que perdíamos 21 gramas quando morríamos. Seria o peso da alma. Mas ora, que babaquice. Minha alma deveria pesar uns cinco em dias como esse.

Olhei o pôster novamente. Garota de bom gosto. E que demora uma eternidade para se arrumar. Sinto o cigarro grudando entre os lábios. Solto um rugido baixo e cansado. Olho em volta e continuo descobrindo. Ela já foi capa de jornal. Ela deve gostar de beisebol, tem um taco e tudo. Ela gosta de tantas coisas. Máscaras tribais. Cachimbos. Cadeiras e mesas velhas. Cortinas pesadas. Ar condicionado no último. Quantos gramas minha alma pesa se eu fumar muito? Será que a alma se perde pouco a pouco e quando a gente finalmente empacota somos pessoas sem alma só porque adoramos uma nicotina escurecendo tudo?

Ela sai do quarto. Nem dou muita atenção às roupas apertadas que ela vestiu para ressaltar os peitos e a bunda. Sentou na cadeira, cruzou as pernas. Eu ainda encaro Penn, Watts e Del Toro. E aí, o que eu faço, gente.

Não sabia que ia acordar e acabar dando de cara com você. O que você tá fazendo aqui? Tá devendo dinheiro pra alguém lá da nossa cidade?

Ah, você sabe, vim de lá por muitos motivos, alguns melhor nem comentar, mas a maioria é muito chata para que você tenha qualquer interesse de verdade - ela descruzou as pernas, afastou as coxas - Mas digamos que foi porque o universo deu um twist, um ponto de virada, o roteiro das coisas mudou, e aí então eu vim pra cá, dormi no quarto da sua amiga, ela foi com a minha cara.

Ela não é minha amiga. A gente só racha o apê. Nós duas damos a metade e a outra metade fica com a mandachuva, mestra das marionetes, que viajou pra Inglaterra, pra sentir um frio e poder usar cachecol e poder dirigir ao contrário.

Então é uma casa só de mulher, um harém, coisa interessante, provavelmente todas vocês tem namorados e eu provavelmente vou tomar na bunda se dormir no sofá e fumar uns cigarros, aqui deve ter bastante coisa deles também, não é mesmo, tipo esse taco de beisebol aqui - tirei ele do suporte da parede, agarrei-o e sacudi no ar. Segurei ele como se estivesse segurando meu pau, ela caiu na risada.

Você não presta. Enfim, minha amiga não tem namorado, eu também não tenho, a mandachuva tem, um escroto psicótico que gosta de bater em mulher.

Ah, então sua amiga é uma masoquista dos infernos, hein? Ouvi dizer que Deus castiga quem gosta de apanhar. Não é irônico castigar com tridentes, correntes, pregos e outras coisas quem gosta de apanhar? Qual seria o castigo de quem gosta de bater?

Não sei. Você gosta de bater?

Ficamos nos encarando. Me joguei no sofá. O mundo tá acabando, sussurrei. Hein, ela perguntou. O mundo. Acabando. 2012, sabe. Aquele filme ruim. Não pode estar tão longe da verdade. Apesar dos efeitos especiais sinistros. Eu acredito que o mundo vai acabar. Acredito que o mundo vai acabar quando eu estiver limpando a bunda depois daquela cagada que a gente dá quando tem ressaca.

Ela olhava chocada. Com o meu discurso, com a minha aparência, com a barba que eu não faço há tanto tempo, com o cabelo que não corto há outros tantos. Vida de carona é assim. Você não pode parar. Tem que seguir em frente, erguer o dedo, de vez em quando passar na casa de amigos. Dormir lá. Dormir na rua. Qualquer coisa, só não podemos voltar pra casa. Mas até que morar na capital não é tão ruim assim. É bem longe. Bem longe de lá.

Olhei em volta.

Deve ser legal morar aqui. As reclamações de suas amigas não devem ser tão chatas quanto as da sua mãe, não é mesmo?, eu era um escroto por perguntar isso, é claro, ela odiava a a mãe, mas sim, eu perguntei e cruzei as pernas novamente, aqui está muito longe de tudo.

Nós estamos NO MEIO de tudo, será que você não percebe? Não precisa mais ir não sei aonde pra comprar cigarro ou qualquer bagulho que você queira, nós estamos no meio de tudo, no meio da podreira, dos pedófilos, dos neuróticos, dos trotes telefônicos obscenos, isso aqui definitivamente tá mais pra mar do que pra deserto.

É um deserto de idéias. Você consegue pensar em algo interessante pra fazer? Não, ninguém que mora aqui tem idéia de algo interessante pra fazer, acho que é por isso que essa coisa de fim do mundo é tão interessante - ela abriu as pernas, estava sem calcinha, eu com certeza fiquei excitado naquele momento, minha respiração está ficando pesada, será minha alma ficando obesa, será que o cigarro está me matando. - Viu, você concorda, não há nada de criativo.

Continuou não havendo criatividade quando ela sentou no meu colo, abriu meu zíper, há quanto tempo a gente não fazia isso, ela perguntou, eu fiquei quieto, eu só fiquei gemendo e pensando se isso era muito chato ou eu que não sabia aproveitar a vida, a amiga dela não acordava, assim como outras tantas na cidade pararam de acordar, foi aí que eu passei a gostar, foi aí que a culpa cristã foi embora, foi aí que eu passei a machucá-la por dentro, e então levei as mãos corajosas até o pescocinho fino dela.

Me pergunto quantos gramas ela perdeu

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Frigida

É difícil voltar para casa depois que se bebe demais. Principalmente se tiver que encarar aquele amor frio, cinza escuro. A rua estava rodando, caí três vezes e ralei os joelhos. A fechadura desviava da chave... Mas consegui entrar em casa.
Ela, deitada na cama... Morena, seios durinhos, pernas cumpridas, boca pequena... Potencial de ser maravilhosa, mas é frigida.
Noite passada tentei, ela mandou eu ir rezar. Insisti um pouco, e ela me bateu, me arranhou, me queimou com o cigarro... acho que ela curte algum lance dominatrix. Toquei uma e gozei no cabelo dela... Só por vingança, depois saí de casa correndo... Só por garantia.
Agora ela está lá, deitada na cama... Super gostosa, ela não vai me dar... Disse que sente dor. Eu já tentei tudo... Sério. Vibradores, gel quente, gel frio, fantasias, joguinhos, psicólogos, frutas, ménage, filmes, dinheiro, sapato... Nada dá tesão nela.
Ela não esta dormindo, é fingimento. Ela vai se vingar! Jesus Cristo... Vou dormir com o travesseiro em cima da barriga para a faca não ir tão fundo.
Estava dormindo e no meio da madrugada sinto ela me cutucando o ombro. Dei um grito (grito de macho, tipo fuzileiro) e dei um pulo de seis metros para fora da cama... Como o quarto é bem pequeno, o salto foi grande demais e bati a cara na parede.
Ela ajudou a me levantar, lavou meus joelhos, pediu desculpa por me queimar com o cigarro. Ficamos bem e isso queria dizer uma coisa... Sexo de reconciliação! Mas ela não queria... estava na cara, e na verdade até eu tinha perdido o interesse. Pois quando ela não queria, se fazia de morta... Parecia necrofilia. Quando tentava participar, era muito estranho... Como explicar? Parecia um ataque epilético doloroso para ela.
Dei um beijo, lhe apertei a bunda e pedi para ela fazer um oral agora e um bife à milanesa para o almoço.


Frase Laranja da Quarta Feira:
“Enquanto eu tiver língua e dedo nenhuma mulher me bota medo.”
Provérbio Paraibano

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Peças.

As mãos deslizavam por partes obscuras, desconhecidas a tanto tempo que em pouco tempo se tornaram incrivelmente íntimas, peças de um quebra cabeça que se completariam naquele exato momento. Os lábios se perdiam enquanto as línguas encontravam todos os caminhos, foram poucas palavras, tanto desejo nascido num simples gesto: Uma leve inclinação de uma das cabeças para um dos ombros desocupados, uma mão encontrando a outra, um sorriso tímido de uma das partes e uma risada nervosa da outra. Desde muito já sabiam, seus corpos a uma mínima distância poderiam facilmente se encontrarem frenéticamente até que todas as peças estivessem encaixadas.

Enquanto botões eram desabotoados com pressa, mãos que se enfiavam dentro de calças e lábios que se ocupavam com outras partes que não fossem outros lábios, o sol setenciava toda e qualquer possibilidade. Os pensamentos se contradiziam e impediam alguns movimentos enquanto outros se tornavam mais frenéticos. Ela pensava no namorado que andava doente e deprimido, uma péssima e regular transa de 30 minutos com todos os orgasmos falsos que poderia ter ; ele pensando em comê-la a qualquer custo, não de era de hoje o pensamento alimentado por insinuações pelo telefone e fotos. Ela com a consciência tão pesadaque a cabeça por pouco tempo conseguiu sustentar, jogada no chão, porque se importar? Ele mesmo já não se importava com mais nada.

O que era taõ certo e provável desmorou em uma única frase
"Você tem camisinha?"

A consciência voltou para a cabeça, uma tonelada que enfraquecia os ombros e a quase fez desabar de tanta dor e remorso. Ele apenas teve que se contentar com formas alternativas de gozar o mais rápido possível, aos olhos dela, infeliz de não comporta-lo dentro de si.

Riram um pouco enquanto discutiam onde veriam o jogo do Corinthians naquela tarde.